23 de abril de 2018

Hoje é Dia Mundial do Livro e se só puderem escolher um...


... recomendo um destes (clicando sobre cada um podem comprá-o na Wook com descontos variáveis):


https://www.wook.pt/livro/a-historia-de-uma-serva-margaret-atwood/15091936?hS844x8fA história de uma serva, de Margaret Atwood (€18,80 - 20% de desconto) - Esta é uma distopia que poderia, com uma certa facilidade, tornar-se numa realidade, e temos na História exemplos disso, como a mudança de estatuto da mulher no Irão após a revolução islâmica em 1979.

Aqui tudo se passa em Gileade, um estado teocrático e fundamentalista que antes era os Estados Unidos da América. A transição não foi complicada, tudo muito bem preparado e de forma quase básica, de modo que em poucos anos as mulheres são reduzidas à tarefa de conceberem filhos para casais inférteis (as Servas), de formarem as Servas (as Tias), de servirem todos os outros (as Martas) ou de esperarem que as Servas concebam por si (as Esposas). Tudo num ambiente que nos remete para a Idade Média, no vestuário e nos cenários.

A forma asfixiante como as mulheres vivem é-nos narrada por uma Serva, de que nunca chegamos a saber o nome real, mulher que no “antigamente” teve uma vida “normal”, um emprego, um marido, uma filha.

É um livro violento, muito, com algumas cenas verdadeiramente nauseantes que não vou contar para não estragar o prazer desta leitura.
 

Muito bom. Pelo enredo em si, inacreditável mas que até pode suceder, pela forma como é narrado, com recorrentes flashbacks a outros tempos, pela capacidade quase cinematográfica de contar uma história. Não lhe mudava absolutamente nada.

E agora preparo-me para assistir a «A handmail’s tale», série feita a partir do livro e que já se está a tornar de culto.


https://www.wook.pt/livro/arranha-ceus-j-g-ballard/16898053?hS844x8fArranha-céus, de J. G. Ballard (€16,99 - 20% de desconto) - Este arranha-céus fica nos arredores de Londres dos anos 70 e foi pensado pelo arquiteto para ter todas as comidades integradas: lojas, piscinas, uma escola... 45 andares ao estilo das unidades de habitação de Le Corbusier. Este edifício alberga habitantes bastante heterogéneos, dos artistas e empresários que vivem nos andares superiores às famílias modestas que habitam os andares inferiores.E é aqui que começam os primeiros problemas.

Gradualmente, o ar condicionado vai deixando de funcionar, o lixo vai-se acumulando nas condutas, os elevadores param um após o outro. E, aos poucos, todos os pisos vão sendo vítimas de vandalismo por parte dos próprios habitantes. Estes, em vez de abandonarem o edifício, sentem-se presos a ele, entrando num estado de barbárie onde se vive o salve-se quem puder e onde o que interessa é a pura sobrevivência.

Um livro catastrofista mas que reflete uma boa parte da sociedade atual, não apenas pela caracterização das personagens, mas também pelas situações limite que vivem. Venham mais livros deste autor. 


https://www.wook.pt/livro/cancao-doce-leila-slimani/19276814?hS844x8fCanção doce, de Leila Slimani (€16,90 - 10% de desconto) - Precisam de um livro que vos agarre bem a sério e que à noite vos obrigue a dormir um pouco menos para ler um pouco mais? É este. Sessenta páginas por noite foi a minha média (hoje em dia só consigo ler já depois de me deitar), o dobro ou o triplo do que costumo ler.

Leila Slimani é uma jovem escritora franco-marroquina (tem apenas 35 anos) que, com este Canção doce, ganhou o Prémio Goncourt 2016, que premeia livros de que gosto quase sempre.

Este livro começa pelo final, pelo assassínio de duas crianças pela ama que cuidava delas. Mas já sabendo o final, vamos querer saber o que levou a ele, e aqui deparamo-nos com Louise, uma mulher praticamente sem vida própria que se agarra à vida das pessoas para quem trabalha. À medida que as páginas avançam, Louise vai-nos sufocando cada vez mais através da sua intromissão naquela família que a ela recorreu para que a mãe possa ser também uma profissional.

Não é um livro policial, nem um thriller, mas antes uma análise à vida dos nossos dias, em que trabalhar e ter filhos se torna um desafio e que nos leva a tomar decisões que nem sempre são as melhores. Gostei muito.


Resultado de imagem para como deus mandaComo Deus manda, de Niccoló Ammamniti (€5 - 20% de desconto) - Este é livro é violento, muito. Bastante cheio de palavrões também. Mas intenso como há muito tempo não me lembrava de ler algo, daqueles livros que me fazem resistir ao sono e, de manhã, ansiar pela hora de voltar a casa para continuar a ler. Com um ritmo rápido, com personagens agressivas mas humanas, capaz de me provocar riso, ternura e repulsa ao mesmo tempo. Um daqueles livros que, ao ler, imaginava em filme. Que entretanto descobri que já há.

Em resumo: numa pequena cidade italiana, um rapaz de 13 anos mora sozinho com o pai, um desempregado neonazi que vive de biscates, depois de a mãe os ter deixado. O pai tem dois amigos, um com problemas mentais e neurológicos obcecado por uma personagem de um filme porno, e outro também abandonado pela mulher depois de a filha ter morrido com uma tampa de champô entalada na garganta. Todos desempregados que um dia planeiam roubar uma caixa multibanco. Só que na noite combinada cai um temporal daqueles, que muda tudo.

Eu sei que parece tudo um bocado exagerado e até «faca na liga». Mas ao ler Como Deus manda, de Niccoló Ammaniti, parece tudo extremamente real. Tal como na vida real, as coincidências acontecem. E, tal como na vida real, muitas vezes as personagens sentem simultaneamente amor e ódio pelo próximo.

Ganhou o Prémio Strega, o mais importante prémio literário em Itália, onde a produção literária é muita e boa. Prémio também já atribuído a escritores como Alberto Moravia, Primo levi, Sebastiano Vassalli, Sandro Veronesi e Umberto Eco. Acho que não é preciso dizer mais nada. 

 
https://www.wook.pt/livro/a-sala-de-vidro-simon-mawer/2843356?hS844x8fA sala de vidro, de Simon Mawer (€5 - 20% de desconto) - Uma casa moderníssima construída na Checoslováquia nos finais dos anos 20 por um arquitecto conhecido. A família que a encomendou e que a habitou durante 10 anos até ter de a trocar pelos EUA para fugir da perseguição nazi. Nos anos 40, a instalação de um laboratório de biometria para medir cores de pele, olhos e cabelo, estruturas ósseas, formas de maxilares, em busca do tipo judeu. No pós-guerra, a instalação de um centro de fisioterapia para crianças vítimas de poliomielite. Nos anos 60, a conversão em museu per si.
 
O livro de Simon Mawer narra de modo genial e cativante a história de uma geração através da história da «sala de vidro» e das pessoas que por lá passaram. A Casa Landauer fascinou-me, imaginei-a noites a fio (talvez por gostar tanto de arquitectura mas acho que não só...), os vidros enormes que desciam e abriam a sala para o jardim em declive, a parede de ónix, as colunas em aço que sustinham todo aquele espaço.
 
Entretanto descobri que a Casa Landauer é de facto a Casa Tugendhat, de Mies van der Rohe. Situa-se em Brno, na actual República Checa, e mantém hoje praticamente as mesmas características de há 80 anos: moderna, espaçosa, luminosa. Grande parte do romance foi imaginado (apesar de a fuga da família ter sido real), mas a casa é descrita de modo exemplar.

Aproveitar!

dia-mundial-do-livro-mrec

19 de abril de 2018

São de extremos, as miúdas.

Reunião ontem na escola, a intercalar a meio do ano para falar mais a fundo das pirralhas. Não sei se ria se chore. Veredicto repetido várias vezes:

Elas são extremamente inteligentes mas também muitíssimo temperamentais.

Estou tramada.

18 de abril de 2018

São de extremos, as mi

O mundo em ponto pequeno

Desde o dia 20 de abril de 2011 que, todos os dias, Tatsuya Tanaka publica uma fotografia no seu Miniature Calendar. Em todas, conjuga objetos do dia a dia com bonecos em miniatura, recriando as mais variadas situações. E para isto é preciso olhar para as coisas de uma perspetiva totalmente diferente.

Estes são apenas alguns exemplos. Para ver o calendário todo, clicar aqui.








17 de abril de 2018

Um mês sem a Vespinha...

... e tantas, tantas recordações delas com as miúdas. Era a sua guardiã nos primeiros tempos. Saudades desta paz.












16 de abril de 2018

Blue pills, de Frederik Peeters

Com desconto, clicar aqui.
Não lia uma novela gráfica há tanto tempo que já nem me lembrava de como gosto deste género. Este Blue pills é mais uma que aconselho. Não é um Persepolis, ou um Maus, mas para mim cataloga-se nas essenciais.

Depois de alguns encontros e desencontros ao longo dos anos, Frederik e Cati envolvem-se numa relação muito próxima, assombrada por algo de que nunca se livrarão (mas de cujo peso se libertarão): Cati e o filho de quatro anos são seropositivos. Apesar de estarem estáveis, o vírus está entranhado nas suas vidas, condicionando uma boa parte delas.

Apesar de ter um traço um pouco rude, Peeters transmite muito bem as emoções patentes nas personagens que são também a sua vida, pois a obra é autobiográfica. Vemos o amor na sua cara, vemos o medo, o cansaço e a preocupação no olhar de Cati, vemos a inocência na expressão do miúdo. E quase conseguimos ouvir os seus berros quando se assusta, ou o barulho da tesoura quando Cati corta o cabelo a Frederik enquanto conversam.

É uma história muito bonita, que tem ainda o poder de nos ensinar imenso, desmistificando as limitações que julgamos que o VIH impõe e abrindo horizontes para uma vida normal.

11 de abril de 2018

Eu, Tonya

Julgo que ainda está nas salas de muitos cinemas, por isso se puderem não percam este filme. A história é verídica, mas muito bem contada, com flashbacks excelentemente enquadrados.

Tonya Harding foi uma patinadora artística de sucesso do início dos anos 90, oriunda de uma família humilde americana. Desde cedo que a mãe lhe identificou o talento, lançando-a na patinagem que acabou por se tornar na única coisa na sua vida. Mas, no mundo da patinagem, a arte não é tudo. Por várias vezes, Tonya foi posta de parte por não ser uma representante à altura dos Estados Unidos da América, devido à família de onde vinha e ao tipo de vestuário que usava. Era aquilo a que chamamos «foleira».

Ainda assim, a sua carreira progrediu, acompanhada por uma mãe fria e sem pingo de humanidade (Allison Janney faz um papel brutal, que lhe valeu o Óscar de Melhor Atriz Secundária) que nem quando quer parecer humana o consegue ser.

Até que um dia a principal concorrente de Tonya é brutalmente agredida nas pernas numa sessão de treinos. As suspeitas acabam por reacair em Tonya e nas pessoas que a rodeiam, destruindo totalmente a sua carreira.

Um filme a não perder. Muito bem adaptado da história real e ao mesmo tempo com interpretações excecionais.

10 de abril de 2018

Uma das minhas fotografias preferidas

Dois dos meus amores em setembro de 2016.

A Luisinha, agora cada vez maior e estouvada; e a Vespinha, que nos deixou há 24 dias para passar a viver nos nossos corações.

9 de abril de 2018

The boys from Brazil, de Ira Levin

Ira Levin, que terei descoberto há cerca de um ano, consegue sempre surpreender-me pelas ideias inusitadas que transparecem nos seus livros. Depois de Rosemary's baby e The Stpeford wives, também este trouxe algo de novo e muito à frente do seu tempo.

Escrito nos anos 70, já falava de técnicas de clonagem como nos dias de hoje. Mas disso não posso falar muito sob pena de estragar o suspense.

Em resumo, 30 anos depois da queda do III Reich, o «médico da morte» Josef Mengele convoca em São Paulo uma reunião com seis antigos seguidores para os destacar para uma missão muito específica: durante cerca de dois anos, terão de assassinar 94 homens, todos civis, todos na casa dos 65 anos, e em datas bastante específicas.

Quando sabe desta conspiração, o «caçador de nazis» Ezra Lieberman leva a cabo uma investigação para perceber o que liga estes 94 homens e porque têm de morrer assim. Lieberman sabe de antemão que o grande objetivo é a criação do IV Reich, mas como? E em que é que este método específico contribui para isso?

Mais uma vez Ira Levin não me desiludiu.