23 de janeiro de 2018

Segredos obscuros, de Hjorth & Rosenfeldt

Aqui está uma série muito interessante concorrente da saga Millenium de Stieg Larsson: a série Sebastian Bergman, também passada na Suécia e que também explora os recantos mais escondidos da maldade humana.

Os currículos dos autores da série prometem: Michael Hjorth é responsável pelos guiões de alguns filmes da série Wallander, de Henning Mankell; Hans Rosenfeldt é o criador da série sueca "Bron"("The bridge").

Sebastian Bergman, o protagonista dos livros, é psicólogo e profiler para a polícia, dando apoio na construção dos perfis dos assassinos. É também uma homem amargurado, que recorre ao sexo para mitigar o sofrimento pela perda da mulher e da filha no tsunâmi de 2004.

Neste Segredos obscuros, a busca é pelo assassino de Roger Eriksson, um jovem de 16 anos encontrado morto sem o coração num pântano. O livro leva-nos por vários caminhos, sugerindo vários culpados e infletindo caminho quando achávamos que já o tínhamos descoberto. Uma técnica que não é nova mas que é muito bem utilizada.

22 de janeiro de 2018

Ser mãe de gémeas é... #47

... deitar duas crianças e meia hora depois ainda estar a ouvir isto através da porta fechada do quarto:

19 de janeiro de 2018

Três cartazes à beira da estrada, de Martin McDonagh

Mildred Hayes perdeu a filha, violada e assassinada numa estrada muito perto de casa. Sete meses depois, sem resultados nas investigações, decide alugar três cartazes à beira da estrada alertando para a inércia da polícia. E são estes cartazes que desencadeiam (ou parecem desencadear) uma série de acontecimentos violentos na pequena cidade de Ebbing.

Os atores estão excelentes (sobretudo Frances McDormand, no papel da duraMildred, e Sam Rockwell, no papel do básico polícia Dixon) e o ambiente é o dos filmes passados em pequenas cidades do interior norte-americano cujo sossego é agitado por um crime.

O filme é classificado como comédia negra, mas pessoalmente não o consigo classificar. É um filme carregado de violência, mas tem muitas situações (e personagens) caricatas e humor negro pelo meio.

Três cartazes à beira da estrada já ganhou quatro Globos de Ouro (melhor atriz, melhor drama, melhor ator secundário e melhor argumento), e parece-me um bom candidato aos Óscares. Se bem que, depois de Manchester by the sea ter ganhado o ano passado o Óscar de melhor argumento original, é provável que a Academia queira premiar outro género.

18 de janeiro de 2018

Diários de uma sala de aula

Numa época em que tanto se fala de professores e de alunos, do que se passa nas escolas e do que não se devia passar, este livro é uma boa abordagem ao tema. Duas professoras, quatro alunas e uma mãe partilham connosco o seu diário escolar.

As professoras escolhidas parecem-me ser daquelas professoras exemplares, com verdadeiro amor à camisola e que prescindem de grande parte do seu tempo pessoal para se dedicarem ao ensino e aos alunos. Não retratarão toda a classe docente, mas quero acreditar que representem uma grande parte. Atravessa os seus diários uma certa angústia relativamente ao sistema educativo e ao Ministério da Educação, além da preocupação com os seus alunos.

Já as alunas queixam-se sobretudo dos professores, daqueles que debitam a matéria sem qualquer interesse em quem têm à frente. Também elas não serão o exemplo dos estudantes portugueses, até porque uma boa parte não conseguirá fazer as reflexões que fazem, mas muito do que dizem parece-me ser transversal à maioria.

A mãe de duas filhas, residente nos Estados Unidos, faz uma boa comparação entre aquele sistema de ensino e o português. Se por um lado tudo é mais organizado e mais participativo (com os pais a terem um papel muito presente na escola), por outro a exigência na área dos conhecimentos é bem menor.

Como já disse, nenhuma destas pessoas é representativa do seu grupo social, mas conseguem ainda assim apresentar-nos um bom retrato do que se passa nas salas de aula e nas escolas portuguesas.

16 de janeiro de 2018

12 de janeiro de 2018

O grande showman, de Michael Gracey

Desde La la land que não via um musical, e confesso que desse não gostei muito. Os "meus" musicais são Moulin Rouge e Mamma mia. E, agora, este. Talvez pelo ambiente mágico um pouco ao estilo de Moulin Rouge. Talvez pela histeria um pouco ao estilo de Mamma mia. Talvez pelas músicas que não me deixaram parar de dar à perna.

Baseado numa história real, a de P. T. Barnum, um dos precursores do showbiz na América do Norte do século XIX, o filme conta a forma como tudo começou, depressa passando para o crescimento do negócio. O circo criado por P. T. Barnum (Hugh Jackman) é na verdade um freak show, povoado de pessoas diferentes: o anão, o gigante, o rapaz-cão, a mulher barbuda... Mas Barnum não se contenta com sucesso entre as massas, ele quer ser reconhecido pela alta sociedade e isso pode tornar-se na sua ruína.

Aquilo de que gostei menos foi da interpretação de Hugh Jackman. De resto, gostei de tudo: da fotografia, da banda sonora, das coreografias. Acrescento que a crítica do Público arrasou com o filme. Mas também que essas críticas nunca estão a par do que vejo.

11 de janeiro de 2018

Suburbicon, de George Clooney

Tudo se passa nos anos 50, numa pequena cidade norte-americana tida como perfeita, onde as famílias são todas exemplares e nada de mau se passa. Até que dois eventos abalam a pacatez do dia a dia: o assassínio de uma mãe de família durante um assalto e a chegada de uma família negra.

A histórias são contadas em paralelo, com poucos pontos de contacto. A questão da família negra retrata a América dos anos 50, uma América racista onde ninguém se coíbe de o demonstrar das piores maneiras possíveis.

Já o assassínio da mãe de família é o foco do filme. Gardner Lodge (Matt Damon) fica com o filho Nicky (Noah Jupe), sendo muito depressa acompanhado pela irmã gémea da sua mulher (Julianne Moore), que aos poucos se vai tornando nela. Pelo meio, surge a máfia, num contexto que aqui não posso referir sob pena de criar um spoiler.

A história base é dos irmãos Coen, que nunca chegaram a realizar o filme. O ambiente dos anos 50 está excelente, acompanhado por uma fotografia saturada que ainda lhe confere um hiper-realismo. As representações estão ótimas (adorei o ator que faz o papel de Nicky). Gostei deste filme.

10 de janeiro de 2018

Coração de mãe sofre...

Anteontem a Luísa sofreu o seu primeiro «acidente» doméstico (isto se descontarmos um entalão numa unha há uns meses, unha essa que acabou por cair): ao disputar um banquinho com a irmã, caiu, bateu com a boca e perdeu um dente da frente.

Ela pouco chorou, quem chorou e muito fui eu, logo a fazer filmes: a pensar que iriam gozar com ela, que lhe afetaria a fala... A educadora descansou-me, explicou-me que até aos 6-7 anos os miúdos não ligam a essas coisas, até porque a maior parte anda desdentada. Quanto à fala, vamos ver.

Entretanto, aprendi umas coisas: se algo parecido voltar a acontecer, e se o dente estiver inteiro, há que colocá-lo em leite e ir de imediato a um dentista onde se possa intervir (de noite acho que não há mesmo hipótese...). E a partir de agora, ir vigiando para o espaço que lá ficou não diminuir, de modo a não afetar a posterior vinda dos definitivos.

Em resumo: uma chatice que não tem solução mas que também não é algo assim tão grave. Mas para o meu coração de mãe é.

9 de janeiro de 2018

Sete irmãs, de Tommy Virkola

Este filme já não está nas salas de cinema, aliás vi-o mesmo no final do período de exibição e tive de ir aos cinemas deprimentes do Alvaláxia para o poder fazer.

O trailer prometia: em 2073, o excesso de população mundial conduz a uma política de filho único, em que qualquer criança nascida fora da quota tem de ser dada para uma suposta congelação. Nesta conjuntura, nascem sete gémeas, que durante o parto ficam sem mãe. É o avô que as acolhe e que, recusando-se a prescindir delas, as esconde através de um processo relativamente simples: cada uma é batizada com um dia da semana, dia esse que é o único em que pode sair à rua. E todas saem no seu dia, mas sempre com a mesma identidade, a de Karen Settman. Até que um dia, Monday não regressa a casa, e no dia seguinte Tuesday tem de ir à procura dela, correndo todos os riscos do mundo apocalíptico em que vivem.

Julgava que ia ver um filme que explorava o desafio de sete pessoas partilharem uma mesma identidade, mas acabei por deparar com um filme de ação cheio de violência. A interpretação de Noomi Rapace é excelente, sem dúvida, mas esperava algo diferente. Para quem queira ver um filme com uma boa dose de violência, será uma boa escolha. Para mim, ficou aquém do que esperava.