23 de fevereiro de 2018

22 de fevereiro de 2018

A queda, de Albert Camus

Pode ser uma blasfémia a minha opinião acerca deste livro, mas o facto é que não gostei assim tanto, e eu sei porquê: não estava preparada, nesta fase da minha vida, para um livro existencialista.

Este A queda é um clássico de Camus, classificado por muitos como o seu melhor livro. Apesar de ser um livro bastante pequeno, custou-me imenso lê-lo e concentrar-me, ficando muito pouco gravado na minha memória.

Todo o livro é um monólogo dirigido a um desconhecido por um ex-advogado parisense. Narrado numa sequência de noites tendo como pano de fundo uma soturna Amesterdão, é focado no julgamento que fazemos dos outros e de nós próprios. Jean-Baptiste confessa-se, começando por se gabar de sempre ter ajudado os outros, desconhecidos na rua e clientes, demonstrando a sua capacidade de piedade, e de sempre ter tido sucesso com as mulheres, apesar de nunca ter gostado de nenhuma. Até dois episódios na sua vida o terem marcado, levando-o a uma vida de álcool e prostitutas.

É esta queda no abismo que é retratada, por um homem que ao tentar penitenciar-se está afinal a vangloriar-se e a glorificar-se.

21 de fevereiro de 2018

A velhice da Vespinha

Eu bem sei que a Vespa Gata e a TT já estão quase a fazer 15 anos, mas o seu envelhecimento é algo com que não me consigo conformar. Há cerca de quatro meses comecei a notar a Vespinha a emagrecer, e levei-a ao veterinário para fazer exames. Fez-se tudo e mais alguma coisa, e foi nas análises mais profundas que se revelou o início de uma insuficiência renal, além de estar carregada de artroses. Entretanto, descobriu-se que a isso se soma hipertiroidismo. Desde aí, a Vespinha tem tomado medicação duas vezes ao dia e alterei a sua alimentação, mas continua extremamente magra, apesar de comer, beber e fazer as suas necessidades. Está, literalmente, metade.

Por um lado, grande parte do tempo ainda faz a sua vida normal, mas é terrível para mim saber que a tendência nunca será uma melhoria.

Elas, a Vespa e a TT, fazem parte da minha família e já estão ao meu lado há mais de um terço da minha vida, tendo acompanhado os momentos bons e os momentos maus.

Custa muito, muito. Não estou preparada para isto.

20 de fevereiro de 2018

Bond à portuguesa

Abstraiam-se da letra e foquem-se na música, logo desde os primeiros acordes. E digam lá se não poderia ser uma música do genérico do James Bond.


15 de fevereiro de 2018

Três homens num barco, de Jerome K. Jerome

Nem sempre é bom reler um livro. Li pela primeira vez este Três homens num barco em 2011 e adorei o livro, como se pode ler aqui. Ri-me imenso das personagens, das histórias, do modo como são contadas. Por isso agora, com a saída desta nova edição e de Três homens numa viagem (que também já tenho para ler), quis passar pela mesma experiência.

Não posso dizer que não gostei, de todo, continuo a achar piada à ingenuidade daqueles três amigos e às alhadas em que se envolvem. Mas a magia da primeira leitura, da descoberta, já não existe. Se há 7 anos classificara o livro com 4 estrelas, hoje dar-lhe-ia 3.

Em suma, não regresses ao lugar onde já foste feliz, pois ainda que seja o mesmo, para ti já não é o mesmo.

14 de fevereiro de 2018

Novo vício

Sou muito permeável a ficar «viciada» em jogos e passatempos, sejam eles digitais ou não. Nos últimos anos, que me lembre, foi o Candy Crush, os livros de unir os pontos, o 2048, o Farm Heroes, o Loop, o Word Connect... Pego naquilo e depois «é só mais um», até que me apercebo de que já passaram 30 ou 40 minutos e não fiz mais nada. E largo um vício quando conheço outro, sendo que há alguns a que volto de vez em quando, como o Farm Heroes ou os livros de unir os pontos.

A minha última descoberta é o Pigment, que não é um jogo mas uma aplicação para pintar desenhos. Nunca tive muito paciência para os livros de pintar, mas no iPad é outra coisa: não ficamos com dores nos dedos, podemos enganar-nos uma data de vezes e a variedade é melhor. O Pigment está dividido por temas ou tipologias de desenho, alguns pagos, mas diariamente há um grátis. As paletas de cores são giríssimas, podemos escolher várias técnicas de pintura e sim, é verdade que quando estamos naquilo não pensamos em mais nada.

9 de fevereiro de 2018

Do Carnaval na escola

Hoje saí da escola com a sensação de que tinha deixado as miúdas na aldeia dos macacos. Ainda nem tinha chegado à sala delas quando uma mãe se cruza comigo e me pergunta com ar incrédulo: Elas não vêm mascaradas? (traduzido: Que mãe é a senhora que não perdeu a semana a tratar das máscaras que queria que as suas filhas usassem apesar de elas nem sequer perceberem o que está a acontecer?). Lá lhe explico que elas ainda não ligam ao Carnaval, que para o ano já deverão ir mascaradas, que enquanto não for necessário passo a vez...

Chego à sala e deparo-me com um cenário um bocado assustador: os miúdos das salas de 1 e 2 anos todos juntos, palhaços, diabos, princesas e homens-aranha aos berros e aos pulos, dois coelhos gigantes a receber as crianças (= as educadoras). Levaram logo a Luísa para lhe tirarem o casaco, enquanto a Maria ficava à espera, parada no meio da confusão a olhar à volta com um ar entre o espantado e o incrédulo.

Viro costas e venho-me embora, com vontade de as trazer comigo. Provavelmente até se estão a divertir muito, eu é que fiquei com medo. Muito.